Construção do Mineirão: A casa do Cruzeiro desde 1965

O Mineirão foi construído entre 1959 e 1965 pelo Governo de Minas Gerais, no bairro da Pampulha, em Belo Horizonte, e inaugurado em 5 de setembro de 1965 com a vitória da Seleção Mineira sobre o River Plate por 1 a 0. Desde aquele ano, o Cruzeiro trocou o pequeno estádio do Barro Preto pelo Gigante da Pampulha e fez dele o palco das suas maiores conquistas.
Abaixo você encontra como a obra saiu do papel, quem projetou o estádio, como foi a corrida para entregá-lo, o que aconteceu no dia da inauguração e por que a chegada ao Mineirão mudou o tamanho do Cruzeiro. Há também uma cronologia e respostas às dúvidas mais comuns.
Resumo rápido sobre a construção do Mineirão
- Uma lei estadual de agosto de 1959, sancionada pelo governador Bias Fortes, criou o então Estádio Minas Gerais.
- O terreno na Pampulha veio de um acordo com a universidade federal de Minas.
- O projeto é dos arquitetos Eduardo Mendes Guimarães Júnior e Gaspar Garreto, em linha com a arquitetura de concreto aparente da época.
- A obra ganhou ritmo no governo Magalhães Pinto e terminou com operários trabalhando em turnos.
- A inauguração foi em 5 de setembro de 1965: Seleção Mineira 1 x 0 River Plate, gol de Buglê.
- Para o Cruzeiro, o estádio abriu a era do pentacampeonato mineiro e da Taça Brasil de 1966.
Por que Belo Horizonte precisava de um estádio gigante
No começo dos anos 1960, os grandes clubes da capital mineira jogavam em praças acanhadas. O Cruzeiro usava o seu estádio no Barro Preto e dividia com os rivais o Independência, erguido para a Copa do Mundo de 1950. Nenhum desses palcos comportava o público que um clássico ou uma visita de time carioca e paulista atraía.
A ideia de um estádio de grande porte circulava desde a década de 1950, mas as primeiras tentativas esbarraram em falta de dinheiro e em problemas com o terreno. A virada veio em agosto de 1959, quando a Assembleia aprovou e o governador Bias Fortes sancionou a lei que criou o Estádio Minas Gerais e um conselho para administrá-lo, origem da autarquia que cuidou do estádio por décadas.
Dinheiro da loteria e terreno da universidade
O financiamento foi um dos pontos mais delicados. A lei destinou ao estádio uma parcela da venda de bilhetes da Loteria Estadual, e o governo recorreu também a empréstimos de órgãos estaduais. Os primeiros recursos foram consumidos rapidamente nas fundações, o que deixou a conclusão da obra em dúvida por algum tempo.
O terreno veio de um acordo com a então Universidade de Minas Gerais, hoje UFMG. No local estava previsto um estádio universitário, e o convênio transformou esse plano no projeto de um estádio para mais de 100 mil pessoas. É por isso que o Mineirão fica colado ao campus da Pampulha até hoje.
O projeto arquitetônico ficou com Eduardo Mendes Guimarães Júnior e Gaspar Garreto. O estádio tem a cara do modernismo brasileiro em concreto aparente, com os grandes pórticos externos que sustentam as arquibancadas e a cobertura e que se tornaram a marca visual do Gigante da Pampulha.
Como foi a obra entre 1959 e 1965
A terraplanagem começou por volta de 1960, mas o avanço real só veio a partir de 1961, já sob o governador José de Magalhães Pinto. Com novos financiamentos estaduais, o canteiro cresceu de algumas centenas para milhares de trabalhadores, e o ritmo foi acelerado na reta final, com turnos que cobriam o dia e a noite.
Durante a construção, a imprensa e o público passaram a chamar a obra de Gigante da Pampulha, apelido que pegou antes mesmo de o nome Mineirão se popularizar. Oficialmente, o estádio recebeu o nome de Governador Magalhães Pinto, em homenagem ao governador que conduziu a fase decisiva das obras. A capacidade projetada era enorme, colocando-o entre os maiores estádios do mundo na época.
A inauguração em 5 de setembro de 1965
O Mineirão foi aberto ao público num domingo, 5 de setembro de 1965, com uma programação festiva que terminou com o jogo principal. Em campo, uma Seleção Mineira formada por atletas dos clubes do estado enfrentou o River Plate, da Argentina, e venceu por 1 a 0. O gol, o primeiro da história do estádio, foi marcado por Buglê, atacante do Atlético.
A partir dali, os três grandes da capital passaram a mandar seus jogos importantes no Mineirão, e os clássicos mineiros ganharam um palco à altura.
Cronologia da construção do Mineirão
| Ano | Fato |
|---|---|
| Década de 1950 | Primeiras propostas de um grande estádio em Belo Horizonte não saem do papel |
| 1959 | Lei estadual cria o Estádio Minas Gerais |
| 1960 | Acordo com a universidade garante o terreno na Pampulha; começa a terraplanagem |
| 1961 a 1964 | Obra ganha ritmo no governo Magalhães Pinto |
| 1965 | Reta final em turnos; inauguração em 5 de setembro |
| 1965 | Cruzeiro deixa o Barro Preto e adota o Mineirão |
| 1966 | Cruzeiro goleia o Santos por 6 a 2 no Mineirão, no jogo de ida da final da Taça Brasil |
| 1997 | Recorde de público na final do Mineiro entre Cruzeiro e Villa Nova |
| 2010 a 2012 | Reforma para a Copa de 2014; reabertura no início de 2013 |
Como o Mineirão mudou a história do Cruzeiro
O Mineirão e o Cruzeiro cresceram juntos. Com um estádio para dezenas de milhares de pessoas, o clube passou a ter renda de bilheteria e visibilidade que o Barro Preto nunca permitiria. O elenco que estreou no novo palco, com nomes como Tostão, Dirceu Lopes e Piazza, conquistou o Campeonato Mineiro de 1965 e iniciou a sequência de cinco títulos estaduais seguidos.
O grande salto veio em 1966. Na decisão da Taça Brasil, o Cruzeiro recebeu o Santos de Pelé no Mineirão e venceu por 6 a 2, resultado que encaminhou o primeiro título nacional do clube. Foi ali que o Brasil passou a enxergar o Cruzeiro como força do futebol do país.
Nas décadas seguintes, o estádio recebeu outras noites marcantes para a torcida celeste, como a final da Libertadores de 1997 e a da Copa do Brasil de 2000. Também em 1997, a final do Campeonato Mineiro contra o Villa Nova registrou o maior público da história do Mineirão, com mais de 130 mil pessoas.
Apesar da identificação, o estádio nunca foi do clube: ele continua sendo um bem do Estado, hoje sob concessão privada, e o Cruzeiro joga lá por contrato. Esse tema está explicado em detalhes no nosso texto sobre de quem é o Mineirão.
A reforma para a Copa de 2014
Entre 2010 e 2012, o Mineirão passou pela maior intervenção desde a inauguração para receber jogos da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de 2014. O campo foi rebaixado, as arquibancadas foram refeitas com cadeiras, a cobertura foi ampliada e ganhou-se uma grande esplanada ao redor. Os pórticos originais de concreto foram preservados, mantendo a silhueta projetada nos anos 1960.
A obra foi entregue no fim de 2012, e o estádio reabriu no início de 2013. Durante o período de obras, o clube precisou mandar jogos em outros estádios, como a Arena do Jacaré, em Sete Lagoas.
Perguntas frequentes sobre a construção do Mineirão
Quanto tempo levou a construção do Mineirão?
Da lei que criou o estádio, em 1959, até a inauguração, em setembro de 1965, foram cerca de seis anos. O trabalho de campo começou por volta de 1960 e só ganhou ritmo a partir de 1961.
Quem projetou o Mineirão?
O projeto original é dos arquitetos Eduardo Mendes Guimarães Júnior e Gaspar Garreto, a serviço do governo estadual.
Qual foi o primeiro jogo do Mineirão?
Foi em 5 de setembro de 1965: a Seleção Mineira venceu o River Plate, da Argentina, por 1 a 0. Buglê, do Atlético, marcou o primeiro gol da história do estádio.
Por que o Mineirão tem o nome de Magalhães Pinto?
O nome oficial homenageia José de Magalhães Pinto, governador de Minas no período em que a obra deslanchou e foi concluída. O apelido Gigante da Pampulha surgiu ainda durante a construção.
Desde quando o Cruzeiro joga no Mineirão?
Desde 1965, ano da inauguração, quando o clube deixou o estádio do Barro Preto como casa do time principal.



