O Mineirão é do Cruzeiro? Entenda de quem é o estádio

Não. O Mineirão não é do Cruzeiro: o estádio pertence ao Governo de Minas Gerais e, desde a reforma para a Copa de 2014, é administrado pela concessionária Minas Arena, por meio de uma parceria público-privada (PPP) que vale até 2037. O Cruzeiro é o principal usuário do estádio e manda ali seus jogos por contrato com a Minas Arena, hoje válido até o fim de 2030. Em agosto de 2026, o governo estadual admitiu discutir uma eventual venda ao clube, mas não existe proposta formal nem negócio fechado.
Neste texto você vai entender quem é o dono do Gigante da Pampulha, como funciona a concessão, por que o Cruzeiro jogou longe dele em alguns períodos, o que diz o contrato de uso mais recente e em que pé está a conversa sobre uma possível compra pela SAF celeste.
Resumo rápido sobre o dono do Mineirão
- O Mineirão (Estádio Governador Magalhães Pinto) é um bem público do Estado de Minas Gerais, inaugurado em 5 de setembro de 1965.
- A gestão está com a Minas Arena, em uma PPP com vigência até 2037.
- O Cruzeiro joga no Mineirão desde a inauguração, mas como usuário: paga e divide receitas conforme contrato com a concessionária.
- O vínculo atual foi renovado no início de 2026 e garante o estádio ao clube até o fim da temporada de 2030.
- Em agosto de 2026, o governo disse estar aberto a conversar sobre venda; um projeto de lei na Assembleia prevê leilão, sem preferência para o Cruzeiro.
De quem é o Mineirão, afinal?
O dono do Mineirão é o Estado de Minas Gerais. O estádio foi construído pelo poder público na região da Pampulha, em Belo Horizonte, e recebeu o nome oficial de Estádio Governador Magalhães Pinto, em referência ao governador da época da obra. A ideia nasceu porque o Independência, erguido para a Copa de 1950, ficou pequeno para a demanda do futebol mineiro.
Ser propriedade do Estado não significa que o governo opere o dia a dia. Antes da reforma, a administração cabia a um órgão estadual. Depois que Belo Horizonte foi escolhida como sede da Copa do Mundo de 2014, o governo optou por entregar a modernização e a operação do estádio à iniciativa privada. É aí que entra a Minas Arena.
Como funciona a concessão para a Minas Arena
A Minas Arena venceu a disputa para reformar e operar o Mineirão em uma parceria público-privada firmada no fim da década de 2000. Há registros na imprensa que apontam a assinatura em 2009 e outros em 2010; o prazo de operação termina em 2037. Pelo modelo, o consórcio fez a obra e recebe do Estado parcelas ao longo do contrato, além de explorar comercialmente o estádio com shows, eventos, camarotes, bares e estacionamento.
Outro ponto importante para o torcedor: a PPP exige tratamento igual entre os clubes. Por isso, mudanças como pintar todas as cadeiras de azul, pedido antigo de parte da torcida, esbarram no contrato.
A relação do Cruzeiro com o Mineirão desde 1965
O Mineirão foi inaugurado em 5 de setembro de 1965. Para o Cruzeiro, a mudança de patamar foi imediata: com um estádio grande, o clube ganhou público e renda para montar o time que conquistou a Taça Brasil de 1966, com a histórica goleada de 6 a 2 sobre o Santos de Pelé no jogo de ida, disputado ali.
O recorde de público do Mineirão também é celeste: segundo os registros mais citados, mais de 130 mil pessoas estiveram na final do Campeonato Mineiro de 1997, entre Cruzeiro e Villa Nova.
Com a saída do Atlético para a Arena MRV, em 2023, o Cruzeiro passou a ser o grande clube que de fato manda seus jogos no Mineirão de forma regular, o que aumentou o peso da Raposa nas negociações com a concessionária.
Quando o Cruzeiro jogou longe do Mineirão
Houve momentos importantes em que o Cruzeiro precisou ou escolheu mandar jogos em outros estádios. O primeiro foi durante a reforma para a Copa: entre 2010 e 2012, com o Mineirão fechado, o clube jogou na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, e depois no Independência.
Outro foi o impasse de 2023, já na gestão de Ronaldo como dono da SAF. Clube e consórcio ficaram rompidos no começo daquele ano: o Cruzeiro queria participação em receitas de camarotes, bares, publicidade e estacionamento, e a Minas Arena dizia que parte desse dinheiro não podia ser repassada por envolver a PPP. O time mandou jogos em outros estádios até que, com mediação do governo estadual, as partes fecharam acordo no fim de abril de 2023, e a volta ao Mineirão aconteceu em maio.
O contrato de uso atual, válido até 2030
O acordo de 2023 valeu até o fim de 2025. Com Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, à frente da SAF desde 2024, as conversas para renovar começaram cedo. O principal entrave era financeiro: o Cruzeiro queria uma fatia maior das receitas e custos menores de operação nos dias de jogo.
A renovação foi oficializada no início de 2026 e assegura o Mineirão como casa do Cruzeiro até o fim de 2030. Os valores não foram divulgados.
| Período | O que aconteceu |
|---|---|
| 1965 | Inauguração do Mineirão, em 5 de setembro; Cruzeiro passa a mandar seus jogos ali |
| 2009/2010 | Assinatura da PPP com a Minas Arena (registros divergem sobre o ano) |
| 2010 a 2012 | Estádio fechado para reforma; Cruzeiro joga em Sete Lagoas e no Independência |
| Jan. a abr. 2023 | Impasse na gestão Ronaldo; acordo fechado no fim de abril |
| Início de 2026 | Renovação do contrato até o fim de 2030 |
| Ago. 2026 | Governo admite discutir venda; projeto de lei sobre alienação tramita na ALMG |
| 2037 | Fim previsto da concessão à Minas Arena |
O Cruzeiro pode comprar o Mineirão?
A hipótese existe, mas está longe de virar realidade. Pedro Lourenço já disse publicamente que gostaria de ver o estádio ser do clube, e também afirmou que não pensa em construir um estádio próprio, porque considera o Mineirão a casa do Cruzeiro.
Em agosto de 2026, o governo de Minas revelou que o Cruzeiro perguntou se o Estado venderia o Mineirão e disse estar aberto a discutir o tema, embora a venda não esteja entre as prioridades. No mesmo mês, foi apresentado na Assembleia Legislativa um projeto de lei que autoriza a alienação do Complexo do Mineirão. O texto está no início da tramitação.
Há obstáculos claros. Se a venda for aprovada, o complexo passaria por avaliação e leilão público, e o Cruzeiro não teria preferência: concorreria com outros interessados. Além disso, a concessão à Minas Arena vai até 2037, e uma retomada antecipada pelo Estado envolveria indenização. Até a publicação deste texto, não havia proposta formal da SAF nem preço estabelecido.
Perguntas frequentes sobre o Mineirão e o Cruzeiro
O Mineirão já foi do Cruzeiro algum dia?
Não. Desde a inauguração, em 1965, o estádio pertence ao Estado de Minas Gerais. O Cruzeiro sempre foi usuário, primeiro sob administração estadual e, desde a reforma para a Copa de 2014, por contratos com a concessionária Minas Arena.
Até quando o Cruzeiro tem contrato com o Mineirão?
O contrato renovado no início de 2026 garante o estádio ao Cruzeiro até o fim da temporada de 2030.
Quem administra o Mineirão hoje?
A Minas Arena, consórcio que opera o estádio em uma parceria público-privada com o Governo de Minas. A concessão termina em 2037.
O Cruzeiro vai construir estádio próprio?
Não há projeto nesse sentido. Pedro Lourenço, dono da SAF, já afirmou que não pensa em construir um estádio e que considera o Mineirão a casa do clube.
Se o Mineirão for vendido, o Cruzeiro fica com ele?
Não necessariamente. Pelo projeto de lei em tramitação, a venda seria feita por leilão público, sem preferência para o Cruzeiro. Ainda seria preciso resolver a situação da concessão da Minas Arena.



